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Nem todo varejista precisa começar por um FIDC

Entre o crediário e o FIDC: o middle market começa a descobrir uma terceira via. Varejistas de médio porte já possuem capital, clientes e capacidade de originar crédito, mas nem sempre têm escala ou necessidade para estruturar um fundo. Securitizadoras começam a ocupar esse espaço como instrumento para transformar crédito em estratégia de crescimento.

Nem todo varejista precisa começar por um FIDC

Entre o crediário e o FIDC: o middle market começa a descobrir uma terceira via.

Varejistas de médio porte já possuem capital, clientes e capacidade de originar crédito, mas nem sempre têm escala ou necessidade para estruturar um fundo. Securitizadoras começam a ocupar esse espaço como instrumento para transformar crédito em estratégia de crescimento.

Quando uma grande empresa decide transformar sua carteira de recebíveis em uma estratégia financeira, existem instrumentos sofisticados disponíveis no mercado de capitais. Entre eles, o Fundo de Investimento em Direitos Creditórios, o FIDC.

O modelo ganhou relevância no mercado brasileiro e permite reunir direitos creditórios em uma estrutura de investimento regulada pela Comissão de Valores Mobiliários. Sua própria estrutura pressupõe agentes especializados: o registro do FIDC na CVM é solicitado por instituições registradas como administradores fiduciários, e a operação envolve funções específicas de administração e gestão.

Para operações com escala e determinadas estratégias de captação, o FIDC pode ser uma estrutura extremamente relevante.

Mas existe uma parcela enorme do mercado brasileiro que está em outro momento.

São varejistas e empresas de médio porte que já faturam dezenas ou centenas de milhões de reais, possuem capital disponível, milhares de clientes e capacidade recorrente de gerar recebíveis. Elas já são grandes demais para tratar crédito apenas como uma condição comercial. Mas nem sempre estão no momento de criar um FIDC.

É nesse espaço que existe uma oportunidade ainda pouco explorada pelo middle market brasileiro.

A empresa já possui os ativos, falta conectá-los!

Imagine uma rede varejista regional. Ela possui lojas, clientes recorrentes, histórico de vendas, fornecedores, equipe comercial e capital. Todos os meses, milhares de oportunidades passam pelo seu ecossistema. Parte delas depende de financiamento para acontecer. Tradicionalmente, a empresa entrega essa etapa para bancos, financeiras ou cartões.

O varejista vende, outra empresa financia e outra empresa recebe a remuneração financeira. E outra empresa decide quais clientes terão acesso ao crédito. Mas existe uma pergunta estratégica que começa a aparecer nas empresas de médio porte:

Se já possuo clientes, capital e capacidade de gerar negócios, por que não estruturar uma capacidade financeira própria?

Essa pergunta não significa necessariamente criar um banco, uma financeira ou partir imediatamente para um FIDC. Para determinados modelos de negócio, uma securitizadora pode ocupar justamente esse espaço intermediário.

Nem todo varejista precisa começar por um FIDC

O FIDC é uma estrutura regulada e profissionalizada, que pode envolver administrador fiduciário, gestor e outros prestadores especializados.

Historicamente, essa sofisticação também tem impacto econômico. Estudo técnico do Tesouro Nacional, ao comparar instrumentos de securitização, apontou que FIDCs possuem custos de manutenção associados à quantidade de participantes envolvidos na estrutura, ao mesmo tempo em que oferecem vantagens importantes para colocação de recursos no mercado.

Isso não significa que exista um patrimônio mínimo universal a partir do qual um FIDC “vale a pena”. A decisão depende de volume, estratégia de funding, perfil dos recebíveis, investidores, governança e objetivos da companhia. Os próprios dados atuais da ANBIMA mostram FIDCs com patrimônios muito diferentes entre si, reforçando que não existe um único tamanho de operação.

A discussão para o empresário deveria ser outra:

Qual estrutura financeira faz sentido para o estágio atual do meu negócio?

Para uma empresa que pretende captar recursos de investidores, alcançar volumes maiores e acessar o mercado de capitais, o FIDC pode fazer parte dessa evolução. Mas uma companhia que pretende inicialmente utilizar capital próprio para financiar seu próprio ecossistema pode avaliar estruturas diferentes. É aí que a securitizadora passa a ser relevante.

Uma estrutura financeira dentro do próprio ecossistema.

A securitizadora permite separar a atividade operacional da estrutura financeira utilizada para determinadas operações de crédito e recebíveis, observadas as características jurídicas, regulatórias e tributárias de cada modelo. Na prática, isso abre possibilidades importantes. Um varejista pode vender um produto e estruturar o financiamento daquele consumidor por meio de seu veículo financeiro.

Um distribuidor pode criar condições específicas para seus clientes. Uma indústria pode financiar sua cadeia comercial. Uma empresa pode antecipar determinados recebíveis ou desenvolver operações adequadas ao relacionamento com clientes e fornecedores. O ponto central não está no veículo em si. Está em fazer o capital trabalhar dentro do próprio ecossistema da empresa.

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É nesse espaço que atua a Benqme

A Benqme atua justamente com empresas que chegaram a esse estágio. São companhias que possuem capacidade financeira e geração de negócios, mas que ainda não transformaram esses ativos em uma estrutura própria de crédito. A atuação começa pela estratégia.

Antes de estruturar uma operação, é necessário entender de onde virá o capital, quem receberá o crédito, quais recebíveis serão gerados, qual o risco esperado, quais regras determinarão a concessão e como a carteira será acompanhada. A partir disso, a Benqme estrutura a infraestrutura necessária para a operação, combinando tecnologia, processos, inteligência de crédito, gestão e estrutura financeira.

É o que a empresa chama de crédito inteligente. Não se trata simplesmente de disponibilizar dinheiro. Trata-se de definir para quem conceder, quanto conceder, em quais condições e com qual risco, criando uma operação capaz de ser acompanhada e aprimorada ao longo do tempo.

Uma nova possibilidade para o varejo

Essa estrutura ganha ainda mais relevância quando se olha para o acesso do consumidor ao crédito. Um varejista pode conhecer muito sobre seus próprios clientes. Sabe quem compra com frequência, quem retorna à loja, qual o tíquete médio, quais produtos consome e, dependendo da relação estabelecida e das bases legalmente utilizáveis, pode combinar essas informações com dados de crédito e capacidade de pagamento.

Isso cria condições para políticas mais aderentes ao seu próprio negócio. Inclusive para avaliar consumidores que não encontraram crédito nos canais tradicionais, desde que a concessão permaneça responsável e baseada em critérios consistentes de risco. Nesse modelo, o crédito deixa de ser apenas uma etapa terceirizada da venda. Passa a integrar a estratégia comercial da empresa.

A securitizadora também pode ser uma etapa, não necessariamente o destino final

Talvez essa seja uma das discussões mais interessantes para o middle market. Uma empresa não precisa necessariamente escolher entre não possuir estrutura financeira e montar imediatamente uma operação sofisticada de mercado de capitais. Pode existir uma jornada. Primeiro, a companhia organiza sua originação. Depois, estrutura políticas e processos de crédito.

Começa a formar e entender sua carteira. Aprende sobre inadimplência, prazo, retorno e comportamento dos clientes. Ganha volume. E, conforme a operação evolui, pode avaliar estruturas de funding e mercado de capitais mais adequadas à nova escala. Nesse sentido, uma securitizadora pode funcionar não apenas como veículo operacional, mas como parte da construção de uma maturidade financeira própria.

O FIDC deixa de ser necessariamente o ponto de partida e pode se tornar, quando fizer sentido, uma das possibilidades futuras dessa evolução.

 

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O middle market começa a descobrir o próprio capital

Durante muito tempo, estruturas financeiras próprias pareciam território reservado às grandes corporações. A tecnologia e a evolução da infraestrutura financeira estão ajudando a mudar essa realidade. Existe uma geração de empresas brasileiras que já possui porte suficiente para ir além do crediário tradicional, mas ainda não precisa necessariamente reproduzir as estruturas financeiras das grandes corporações.

São empresas com três ativos fundamentais:

capital, clientes e capacidade de originar negócios.

O desafio está em conectá-los. É justamente nesse intervalo entre o crédito totalmente terceirizado e estruturas mais sofisticadas de mercado de capitais que pode estar uma das próximas oportunidades do middle market brasileiro. Porque talvez a pergunta mais importante para o empresário já não seja:

“Onde consigo crédito para minha empresa?”

Mas sim:

“Como posso transformar o capital que já tenho em uma ferramenta para vender mais e gerar mais resultado dentro do meu próprio negócio?”

Fontes: Comissão de Valores Mobiliários (CVM), serviço de registro de FIDC, atualizado em junho de 2026; CVM, orientações sobre estrutura e prestadores de serviços de FIDC, setembro de 2026; ANBIMA Data, dados de FIDCs, setembro de 2026; Secretaria do Tesouro Nacional, Nota Técnica nº 102525, comparação de estruturas de securitização.